quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Consciência Humana e Sonhos

José Saramago o definiu assim: “Martin Luther King era um homem como qualquer de nós.” É desta forma, sem idealizações, que fico comovido com a história deste homem negro, nascido num país que em termos de discriminação racial pode ser comparado à Alemanha nazista, os Estados Unidos, esse mesmo que no dia 5 elegeu Barack Obama a presidente da república. Dentre os feitos de King, sua luta pelo fim da segregação e o amor por sua família deixam-me com lágrimas nos olhos. Ganhar o Prêmio Nobel da Paz foi uma espécie de reverência ao reverendo pacifista que apenas com palavras, sonhos e amigos perturbou a consciência dos infames e despertou à luta os oprimidos. Graças ao exemplo desse homo sapiens há ainda esperança de igualdade, pode-se acreditar que é possível subverter o sistema. No seu discurso mais famoso, conhecido por I have a dream, o Dr. King disse:

“Eu tenho um sonho de que meus quatro filhinhos, um dia, viverão numa nação onde não serão julgados pela cor de sua pele e sim pelo conteúdo de seu caráter.”

Sabendo-se que apenas 13% do eleitorado estadunidense que votou em Obama é negro, podemos afirmar que o sonho de King finalmente se concretizou. Embora em partes. Porém, seria mais difícil isto acontecer caso Martin Luther King não tivesse um sonho nem houvesse compartilhado o mesmo. É uma pena que os filhos do reverendo não estejam vivos para verem o sonho realizado do seu pai.

Pessoas comuns também realizam seus sonhos. A vontade de viver os tornam mais próximos da realidade.

Zumbi dos Palmares foi o nosso primeiro Martin Luther King. Críticas e desmistificações à parte, o Quilombo dos Palmares pregou liberdade, igualdade e fraternidade séculos antes da Revolução Francesa. É nosso maior exemplo, por ter sido o primeiro, porque aconteceu aqui no mesmo chão que eles pisaram e nós também. Mas, a ressalva é que a história não pertence a eles, nem a nós, é de todos.

Como diria Gandhi, uma mente livre jamais será acorrentada. Nossa liberdade espiritual somada a capacidade de sentir nos torna humanos, humanos comuns. Para mim, este é o principal objetivo de comemorar o dia da Consciência Negra: celebrar a liberdade e acreditar no sonho. Zumbi, King, Obama acreditaram.

Eu acredito que realizarei meus sonhos, embora sejam bem egoístas e por isso poucos. Apesar de tudo, singelos. Pois tudo de que necessito é um emprego razoável e a companhia das pessoas que amo. Meu sonho mais obstinado é publicar um livro de poesia e outro de contos. Sou egoísta? Claro, eu deveria pensar nos outros. No entanto, como haveria partilha de sonhos se antes eles não fossem sonhados por alguém? Sonho como um menino comum e gostaria que outros meninos e meninas comuns sonhassem mais, que simplesmente sonhassem.

Como transformar a realidade sem utopia?

Ai, eu sonho, egoisticamente, mas sonho. Tenho uma consciência humana que não me deixa embrutecer. Cético quanto a um futuro melhor que o presente, eu busco a minha felicidade. Sou egoísta. Afinal, sou como qualquer de nós.

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