quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Cristovam, ou Moisés de paletó

Agosto se foi. Eu continuo com saudades. Porém disto não falarei.

Em agosto muitos assuntos explodiram na mídia. O que mais marcou, obviamente, foi o caso Sarney. Aliás, FORA SARNEY! Como não é do meu costume divagar sobre política, não que me escuse, darei apenas um pitaco. É que não tenho saco, mesmo.

O Senado (a Câmara Federal e todo o resto) é um opróbrio nacional, indefensávei. Contudo, há pessoas ali que ainda brilham, que incomodam os demais. Só posso citar uma por ser ela a única que acompanho já há algum tempo: o Senador Cristovam Buarque, sim, aquele que foi demitido por telefone quando era Ministro da Educação no primeiro mandato de Lula, que defende até a alma a educação de qualidade, que foi candidato a presidente pelo PDT de Brizola etc.

A principal característica de Cristovam Buarque é a Ética aliada a uma calma alentadora enquanto discursa sem ofender quaisquer colegas, como também o encadeamento linear das idéias (que não arrefece mesmo com aquela sirene chata apitando intermitentemente). Não sei de outros, mas o professor-senador ao pedir o afastamento de Sarney em contrapartida não fora esculachado por seu passado ou presente como muitos. Ou seja, quando fala, os outros são obrigados a engolir e digerir suas palavras a seco, inclusive o Collor. Sua história não o envergonha, eis o segredo. Ele me lembra Moisés: diz a Biblía que as pessoas comuns não podiam olhar sua face, porque resplandecia a glória de DEUS.

Acredito na utopia difundida e defendida por Cristovam de que a Educação é o principal meio para alavancar o progresso de uma nação, neste caso, a nossa. Exemplos não faltam: Japão, Coréia do Sul, Irlanda. Hoje, penso que se deve resolver problemas mais urgentes, como a pobreza, a violência. Na verdade, as ações devem convergir para o bem maior (puro clichê, né?).

O Brasil me aflige. Mas ainda existem pontos luminosos no universo, como diz o professor Jairo Campos. Quem sabe, um Moisés de paletó e gravata.

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