quinta-feira, 3 de junho de 2010

Terrorismos

Não é coisa atual a humanidade produzir assassinatos. Desde tempos remotos, a sobrevivência dos grupos humanos esteve de algum modo relacionada à competição com outros grupos. Daí as guerras. A evolução nos presenteou com maravilhas da racionalidade. Porém, há problemas que parecem indissolúveis, como os embates étnicos. Para ficar num exemplo, alguém consegue lembrar de quando começou essa peleja de cristãos x muçulmanos x judeus (quer dizer, todos contra o Islã)?


Após o fim do Império Romano, o Cristianismo alçou o posto de religião oficial e passou a perseguir as demais como sofrera antes. Com as Cruzadas, o conflito com os povos árabes para conquistar a Terra Santa transformou-se numa guerra interminável e insana. O Ocidente chama os ataques dos muçulmanos de “terrorismo”, devido ao uso de táticas nada convencionais: homens-bomba explodindo em lugares públicos, seqüestro de aviões para impactá-los contra arranha-céus, guerrilhas. No geral, esses “terroristas” não dispõem de capital suficiente para adquirir tanques, caças, fuzis etc., ou seja, um aparato bélico como o daquelas nações que tentam combatê-los. Por isso, essas táticas de “baixo custo”, cujo objetivo é provocar o maior dano possível. Mas... bem, quantas vidas são tiradas a cada míssil disparado de um caça supersônico? Quantos morreram na explosão da bomba atômica?


Esse “terrorismo”, diz a mídia, muitas vezes é promovido por facções religiosas radicais ou políticas, cujos intuitos podem ir da sutil diferença de interpretação do livro sagrado a tomada de territórios (muitos deles ricos em petróleo, minerais raros), a cor da pele, casta, tribo. Mesmo com tanta racionalidade fica difícil entender uma guerra onde nem é mais necessário saber por que se luta. Em nome da religião? Da democracia? Da liberdade? Da terra?


Hoje, os jornais precisam reparar bem no que publicam sobre algumas religiões, nações, políticos, seitas, pois, em alguns lugares, isso pode ser motivo para uma retaliação. (Os terroristas não perdoam). Embora, muitas vezes esses mesmos jornais se “confundam” sobre quem, na verdade, está espalhando o terror. A lógica tribal é a da eliminação total do inimigo, e é a lógica dos conflitos atuais, onde terrorismo é combatido com terrorismo (dependendo de quem, bastante avançado tecnologicamente). O saldo final: mortes, mortes, mortes de crianças, de inocentes, de pessoas que só desejam o fim da guerra para viver em Paz. Por isso, não cabe apontar os terroristas, uma vez que todos que promovem guerras o são.


José Minervino Neto

Branquinha, 07/03/2009