sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Estoicismo à Saramago


Tive o prazer de encontrar estas palavras. Gostaria de tê-las dito. Aqui as reproduzo integralmente do blog do José Saramago, cujo link está ali à direita. Eu, como o distinto português, de modo algum sei conviver com a indiferença. Apesar de usá-la, forçosamente, em nome da minha conveniência em alguns momentos.

Eis o texto de Saramago:

Vivo, vivíssimo

Intento ser, à minha maneira, um estóico prático, mas a indiferença como condição de felicidade nunca teve lugar na minha vida, e se é certo que procuro obstinadamente o sossego do espírito, certo é também que não me libertei nem pretendo libertar-me das paixões. Trato de habituar-me sem excessivo dramatismo à ideia de que o corpo não só é finível, como de certo modo é já, em cada momento, finito. Que importância tem isso, porém, se cada gesto, cada palavra, cada emoção são capazes de negar, também em cada momento, essa finitude? Em verdade, sinto-me vivo, vivíssimo, quando, por uma razão ou por outra, tenho de falar da morte…

domingo, 2 de novembro de 2008

Lewis Hamilton, campeão da F-1 2008


Até a morte de Ayrton Senna, os domingos de Fórmula 1 eram emocionantes para os fãs do automobilismo, mesmo para quem assistia, torcia pelo Senna sem entender coisa alguma, como eu. Senna era uma espécie de semideus brasileiro. Tinha carisma em demasia, além de ser o melhor piloto de seu tempo. Aí, veio o Rubens Barrichello, que todo mundo pensava ser o novo Senna ao entrar na Ferrari, mas o que se viu foi um piloto sem autonomia, que cedeu a dianteira numa corrida ganha para o Schumacher em 2002 (?). Passei a detestar a Ferrari por isso, e de quebra não acompanhei mais a F-1, que ficou bem chata com o alemão ganhando tudo. Aí, chegou o Alonso, o chato-mor. O espanhol ganhou dois anos seguidos o campeonato e aposentou Schumacher.

Em 2007, chega à F-1 o primeiro negro, Lewis Hamilton, com muito carisma e correndo de igual para igual com veteranos e campeões como seu então companheiro de equipe, Fernando Alonso. Com Hamilton a F-1 voltou a ter graça, a ser imprevisível e emocionante. Tornei-me fã de Hamilton. Voltei a acompanhar a F-1. O inglês quase ganhou o campeonato em sua primeira temporada. Haikkonen venceu com diferença de um ponto para Hamilton o campeonato de 2007.

Hamilton sagrou-se campeão da F-1 2008, hoje. Na última curva, a trezentos metros da linha de chegada, conseguiu ultrapassar Glock, chegar em 5º e marcar um pontinho que fez a grande diferença como no ano anterior. Ele e Massa fizeram de 2008 o campeonato mais vibrante, como não se via há anos. Não houvesse a Ferrari cometido tantos erros, não fosse a estabilidade técnica da McLaren, Massa seria o primeiro piloto brasileiro a ser campeão em casa. Foi quase, Felipe Massa.

Vibrei muito com a vitória de Hamilton. E alguém poderia perguntar por que não torço por Massa. Bem, eu não acho que ele seja um piloto ruim ou sem carisma, é que ele não tem aquela capacidade de Senna de enfrentar os adversários, a garra, a coragem, a humildade de admitir que errou (a equipe sempre erra com ele). Hamilton, por outro lado, mesmo sabendo que se quebrará todo vai pra cima, senta o pé mesmo e faz cada ultrapassagem (aquela do GP da Bélgica, então...!). Enfim, Hamilton é mais parecido com Senna do que Massa, eu , pobre torcedor, acho. O inglês soube comedir-se neste final de campeonato e isto lhe deu a vitória final.

Outra coisa legal na vitória de Hamilton foi que, com isso, ele calou os críticos, a turma do raio que cai no mesmo lugar duas vezes e, principalmente, o chato elevado à décima potência da televisão brasileira, o narrador Galvão Bueno.

Valeu, Hamilton! God save the black driver!

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Laerte voltou!

Dias atrás, lamentava aqui uma suposta retirada do ar das tirinhas diárias do Laerte, hospedadas no http://camaracom.com.br. Pois, então, inconformado decidi semana passada tentar novamente acessar o link. Não deu certo como da outra vez. Aí, eu tive a "brilhante idéia" de acessar o Oráculo Supremo*, vulgarmente conhecido por Google, que mostrou o caminho. Portanto, tenho o Laerte de novo, todos os dias!

O link é esse: http://camaracom.com.br/portal3/mundo-camara/quadrinhos/

O site, como podem notar, continua o mesmo. Acho que mudaram lá e esqueceram de avisar, ou pelo menos redirecionar o endereço anterior.

Carpe diem!


*Termo cunhado pelo companheiro Aristóteles. Blog do cara: http://aristotelesrocha.blogspot.com/
; no Orkut: http://www.orkut.com.br/Main#Profile.aspx?uid=14745578311732287491

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

1973: Secos & Molhados e Pink Floyd

Hoje, revirando meus arquivos digitais guardados em DVD’s e num HD externo encontrei os álbuns dos Secos & Molhados de 1973 e 1974. Ao notar o ano de 1973, lembrei que este também foi o ano de lançamento de outro grande álbum, só que em maior escala, “Dark Side Of The Moon”, do Pink Floyd. Ambos revolucionaram o cenário do Rock, no Brasil e na Inglaterra, respectivamente.


Como não possuo os pré-requisitos necessários para fazer uma análise consistente, já que não sou músico, nem tenho idade para avaliar o verdadeiro impacto desses álbuns nos seus lugares de origem, resigno-me a lançar minhas impressões de admirador sobre estes objetos e indicar a “ouvidura” deles. Vale a pena passear pela Net e buscar a tradução das letras do Pink Floyd.


O Secos & Molhados, de acordo com o que li pela Internet afora, pelo contexto histórico e visual surrealista e provocador dos integrantes da banda, em especial Ney Matogrosso, quebraram paradigmas sociais com música e poesia. Foram iconoclastas de uma grandeza perseguida até os nossos dias. No S&M de 1973 (o álbum não tem título), há preciosidades como “Rosa de Hiroshima”, poema de Vinícius de Moraes musicado por Gerson Conrad, “Sangue Latino”, “Primavera nos dentes”. Dá vontade de dançar cada vez que ouço esse álbum, e ao mesmo tempo de só escutar a poesia na voz do Ney.


Do outro lado do mundo, nascia o “Dark Side Of The Moon”, que é considerado por muitos como o álbum que inaugurou o rock progressivo (há quem dê os créditos ao “Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band”, dos Beatles). Até então, não se tinha ouvido um som tão “espacial” e psicodélico, repleto de inovações para a época. Canções como “Us and Them”, “Brain Damage”, “The Great Gig In The Sky” nos carregam para outro lugar, longe daqui. A última citada principalmente.


Enfim, são dois álbuns do caralho! Acredito que aqueles que os ouvirem não se arrependerão. Se se arrependerem, como diriam os ingleses: Sorry! Try again. Ou não. Façam como os caras de 1973: inovem, revolucionem (suas próprias vidas, preferencialmente).