quinta-feira, 30 de abril de 2009

6+1 no STF

Consultando o Oráculo Supremo, li uma matéria que fala sobre os "empregados" do Ministro do STF Gilmar Mendes. São 6 outros ministros em atuação, que com ele são sete votos (na matéria, Fábio Campana esqueceu de mencionar César Peluso) mais o Ministro da Defesa, Nelson Jobim, pra dar uma mãozinha no que for necessário. Todos estes são professores do Instituto Brasiliense de Direito Público - IDP, de propriedade do senhor Mendes.

Hoje, esses ministros fizeram uma homenagem ao seu presidente: aqui.

Para mim, ignorante em direito, especulador, entendo isso como um atentado a ética. Ou no linguajar cotidiano, uma roubalheira da mulesta, uma troca de favores. Os Taturanas alagoanos devem amar o Gilmar (rimou!). Alguém nos comentários do site do Campana levantou a tese de que "eles", ministros, não estariam interessados num "carguinho de professor numa escola de pós-graduação", como se nós outros, brasileiros que todos os dias somos vilipendiados por essa "justiça" e pela outra dos coronéis, fôssemos idiotas pra não compreender a mensagem das entrelinhas (abaixo os clichês!).

Eu sentia uma certa simpatia pelo PT, até transformarem-na em indignação depois do Mensalão (rimou de novo) e de outras coisas que nem quero recordar. Esse país é phoda! (Com "ph" porque é phoda desde a época do escambo). Torço pelo ministro Joaquim Barbosa, pois ele se mostrou isento, imparcial quanto aos mensaleiros e naquele bate-boca da semana passada com o Mendes falou o que tantos gostariam de ter dito. Claro que ninguém é perfeito (outro clichê?!), o Barbosa faltou a algumas sessões importantes recentemente, hoje mais uma para fazer uma consulta médica.

Com o tempo descobriremos quem tem razão nessa história toda (mais um clichê...).

Lista dos ministros-professores:

Eros Roberto Grau
Marco Aurélio Mendes de Faria Mello
Carlos Ayres Britto
Carlos Alberto Menezes Direito
Cármen Lúcia Antunes Rocha
César Peluso
Nelson Jobim (ministro da defesa)

Link da matéria, que tem outro direto para o site do IDP: aqui.

sábado, 25 de abril de 2009

Sublimação

Sublimação: em Química, passagem do estado sólido para o gasoso (sem passar pelo líquido). Na minha débil ciência especulativa, é o que acontece com pessoas extraordinárias que deixam este mundo e vão sei lá pra onde, céu, inferno, além, depende da crença, ou simplesmente para a terra.

Domingo, sublimou-se um amigo muito querido, que me mostrou outra forma de crer no transcendental diferente do catolicismo. Antigamente nem nos falávamos bem quando viera morar na "minha" rua, em Brank City. Com o tempo, percebi a pessoa inteligente e divertida por trás daquele azedume cotidiano. Tornamo-nos amigos. Era o Edvaldo Júnior, o Junim Covardim, como denominávamos o seu sarcasmo peculiar.

Hoje, recebi a notícia, mais uma triste notícia, da sublimação de um brother que dispensa comentários, como se diz. Wilton, o baixista fenomenal, o filósofo irrequieto, o cara simpático de cabelo black power e sorriso cativante, sublimou-se.

Diletos leitores deste blog, pelo último post vocês já devem ter percebido o quanto amo e estimo meus amigos. Amo a todos, embora eu nem diga isso para alguns, pois é desnecessário. Esta semana foi muito infeliz, apesar de toda a euforia extravasada nos shows d'Os Paralamas do Sucesso e Titãs (iria escrever sobre isso, ainda bem que não tive tempo). A tristeza é sempre mais forte que a alegria, e esta é tão efêmera... fugaz.

Agora esses irmãos que sublimaram aguardam por nós.

Wilton e Junim, obrigado, muito obrigado mesmo! Vocês me deram alegrias e boas lembranças. Até logo!

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Reconstruir

Reconstruir... é necessário, mas cansa. Estou cansado de ter de reconstruir o mundo, reconstruir a sociedade, reconstruir os fragmentos que formam as coisas, reconstruir o reconstruir. Que dança interminável é essa? O que vejo, se é uma realidade real, se existe, é um processo avançadíssimo de destruição. Escatologia, dir-se-ia.

Um dos meus melhores amigos sofreu um acidente, deslizou nas escadarias e bateu a cabeça. Perdeu 40% da memória, aproximadamente. Das poucas lembranças que ainda tem sobre amigos e demais pessoas de seu entorno, lembrou-se de mim, da minha fisionomia, nome, o que faço. Em geral, são recordações muito recentes das últimas conversas que tivemos por telefone ou MSN. Evaporaram-se os grandes momentos que passamos juntos de alegria e tristeza. Coube a mim e a outros a missão de ajudá-lo a reconstruir sua memória, e, por consequência, sua afetividade. Minha primeira atitude foi montar slides com fotos e textos de alguns momentos inesquecíveis (!).

Surpreendi-me porque não caí aos prantos nem perdi a vontade de fazer as atividades cotidianas. Já chorei muito em conversas telefônicas quando me contara sobre os flagelos sofridos no Rio de Janeiro. Hoje, simplesmente não entendo a ausência das lágrimas. Temo que isso seja um passo à insensibilidade que tanto combato.

Parece que estou vivendo um capítulo de novela daqueles onde o protagonista perde a memória. Jamais imaginei uma situação dessa em minha vida. Na ficção "tudo sempre acaba bem", o herói recupera as perdas e volta para os braços da mocinha, e neste intervalo mata o vilão. Na realidade, essa realidade real, sobra a esperança lonqínqua de que tudo re-torne. Afinal, não está tudo lá ainda na cabeça dele, porém desconectado? (Se você que lê esse texto souber algo de neurologia, explica-me melhor, corrige-me).

Enquanto a natureza não responder, vou tentando como me é possível ajudá-lo. Ponho a massa esperando o tijolo.

Fernando, meu irmão mais velho, nem a sua desmemória me fará desistir de ti. Porque eu te amo.

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WILTON, estamos aguardando-te!