domingo, 20 de junho de 2010

Recomeçar

Dessa sexta-feira, 18 de junho, em diante estarei sofrendo muito. Eu e minha família fomos vítimas da fúria das águas revoltadas. Revoltadas porque nossa culpa ocupar e destruir o leito dos rios. Resumindo, minha família e dezenas de outras de Branquinha-AL perdemos tudo o que tínhamos, alguns até a vida. Isto nos sobrou mais a força de formiguinha para recomeçar. E como é triste, quantas lágrimas salgaram o lamaçal, molharam os escombros. Os músculos ainda estão doloridos por conta dos esforços inúteis para salvar os objetos de casa. Perdi metade do que vivi até hoje, pois o rio levou contos, poesias e muitos outros escritos guardados com muito cuidado ao longo de mais de quinze anos de amor à palavra. Meus livros tão queridos desceram. Tomara que alguém os leia, assim sairei do anonimato. Porém, a vida, agora mais curta, prossegue. Agradeço... a Deus, força estranha que nos impeliu? ao racionalismo, força estranha que nos repeliu? Não sei, apenas sou grato por minha família e amigos muito amados estarem vivos e tomando decisões para reconstruir. Como diz o ditado popular, só não tem jeito pra morte.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Futebol

Fui infectado em 1994 por essa coisa de futebol. Eu ligava a TV a qualquer hora e só aparecia notícia referente à Copa do Mundo de Futebol, pra mim que quase desconhecia a palavra futebol, só passava "coisa de jogo, ôr!". Vem o primeiro jogo da seleção brasileira, o primeiro gol e um carnaval junino. Bombas, gritos, muita cerveja. Aquilo era bom. E tinha Romário e Bebeto lá arrasando os adversários, fazendo milagres, enfim, a melhor dupla de ataque que já vi jogar. Porque, lembrem, futebol apareceu pra mim naquela Copa.

Também não estava nem aí pra time algum, até aparecer o Flamengo de alguma forma que não recordo, mas com certeza foi influência de grandes e sábios amigos.

Brasil tetracampeão. Uma alegria! Meu irmão e um primo nosso foram pintados de verde e amarelo no dia da final. Eu corria gritando pelas ruas com uma camisa da seleção comprada na feira, grande demais, pois era do meu pai.

Aí veio 1998, grandes expectativas e uma enorme decepção. Eu torcia fanaticamente pelo Ronaldinho. Revoltei-me com o corte do Romário. Não vi o segundo tempo da final contra a França.

Seleção virou motivo de ódio. Nas eliminatórias pra 2002, só pesadelo. Chegou Felipe Scolari, mudou tudo, deu moral pro time e fomos mais uma vez campeões, com gols do Ronaldinho e jogadas lindíssimas de Rivaldo, que foi o Cara em 2002.

2006... deixa pra lá, foi trágico, revoltante. Não lembro de outros jogadores além de Zé Roberto e Robinho chorando, após mais um show de Zidane, dessa vez visto com admiração.

Nesses 16 anos de convivência quis muitas vezes ser indiferente ao futebol. Somente as alegrias estaduais do Flamengo não bastavam e ainda tinha de aturar meu time anos seguidos à beira do rebaixamento. Aí veio 2009. Flamengo hexacampeão brasileiro! Comprei até camisa nesse ano.

2010. Se me perguntassem o que eu gostaria de ver este ano em termos de futebol, seria sem dúvida o hepta do Mengão. Torcer por uma seleção mais estrangeira que brasileira, retranqueira, feia, sem um o Cara, não tem a menor graça. Seria uma boa se a Argentina ganhasse, ao menos o Maradona é mais engraçado que o Zangado. Embora eu torça pelo Brazil, na verdade, por um brasileiro em particular, Julio Cesar, grande rubro-negro. Mais ainda pelo sucesso da África do Sul como país sede.

É isso, essa é a seleção mais estranha que já vi. Desde quando os maiores ídolos de um time fazem parte da zaga? Estranho... Ah, tem o Kaká, que anda com as pernas bambas ultimamente. Mesmo assim, pra frente Brazil! Afinal, se formos campeões, provavelmente será feriado no dia 12 de julho.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Terrorismos

Não é coisa atual a humanidade produzir assassinatos. Desde tempos remotos, a sobrevivência dos grupos humanos esteve de algum modo relacionada à competição com outros grupos. Daí as guerras. A evolução nos presenteou com maravilhas da racionalidade. Porém, há problemas que parecem indissolúveis, como os embates étnicos. Para ficar num exemplo, alguém consegue lembrar de quando começou essa peleja de cristãos x muçulmanos x judeus (quer dizer, todos contra o Islã)?


Após o fim do Império Romano, o Cristianismo alçou o posto de religião oficial e passou a perseguir as demais como sofrera antes. Com as Cruzadas, o conflito com os povos árabes para conquistar a Terra Santa transformou-se numa guerra interminável e insana. O Ocidente chama os ataques dos muçulmanos de “terrorismo”, devido ao uso de táticas nada convencionais: homens-bomba explodindo em lugares públicos, seqüestro de aviões para impactá-los contra arranha-céus, guerrilhas. No geral, esses “terroristas” não dispõem de capital suficiente para adquirir tanques, caças, fuzis etc., ou seja, um aparato bélico como o daquelas nações que tentam combatê-los. Por isso, essas táticas de “baixo custo”, cujo objetivo é provocar o maior dano possível. Mas... bem, quantas vidas são tiradas a cada míssil disparado de um caça supersônico? Quantos morreram na explosão da bomba atômica?


Esse “terrorismo”, diz a mídia, muitas vezes é promovido por facções religiosas radicais ou políticas, cujos intuitos podem ir da sutil diferença de interpretação do livro sagrado a tomada de territórios (muitos deles ricos em petróleo, minerais raros), a cor da pele, casta, tribo. Mesmo com tanta racionalidade fica difícil entender uma guerra onde nem é mais necessário saber por que se luta. Em nome da religião? Da democracia? Da liberdade? Da terra?


Hoje, os jornais precisam reparar bem no que publicam sobre algumas religiões, nações, políticos, seitas, pois, em alguns lugares, isso pode ser motivo para uma retaliação. (Os terroristas não perdoam). Embora, muitas vezes esses mesmos jornais se “confundam” sobre quem, na verdade, está espalhando o terror. A lógica tribal é a da eliminação total do inimigo, e é a lógica dos conflitos atuais, onde terrorismo é combatido com terrorismo (dependendo de quem, bastante avançado tecnologicamente). O saldo final: mortes, mortes, mortes de crianças, de inocentes, de pessoas que só desejam o fim da guerra para viver em Paz. Por isso, não cabe apontar os terroristas, uma vez que todos que promovem guerras o são.


José Minervino Neto

Branquinha, 07/03/2009