domingo, 31 de julho de 2011

Trema, amizade!

É lastimável que a tristeza que me assombra nesses dias seja uma face tão querida e tão amada outrora. Perseguição maldita de Augusto dos Anjos e seus versos intestinais? Custo a acreditar nessa faceta desoladora, nessa mágoa e cinismo. E quantas vezes por dia não desejo apenas que ela nem apareça, porque sua presença me deixa triste e frágil a ponto de me quebrar se o ar de suas ventas tocarem minha pele. Pois, viver é uma contradição mutante, ébria de tanta lucidez ignorada. Reluto à força dos versos do poeta e exijo de mim uma relação pacífica, mesmo que essa guerra fria dure, dure e não acabe. Os meus amigos de verdade nunca me deixaram, sempre esperaram por mim, e o mais importante, nunca me negaram a sinceridade diante dos meus erros. Mas qual foi meu erro dessa vez? Recuso-me a machucar a face que um dia afaguei, a escarrar na boca que beijei. Vivo nas nuvens e lá não há pedras. Saudável, não me vem catarro à garganta. E, além disso, sou um péssimo atirador. Saudades, saudades... e só.

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Instigado e inspirado na leitura dessas palavras daqui: In Maginary, por Diana Sarmento.

Um comentário:

dea iana disse...

É um misto de alegria e tristeza ver que meu texto tenha dito muito não só por mim, mas por alguém que sabe dominar as palavras. Ou que também as tenta dominar, como eu...
Acho que o termo certo é empatia, inclusive por reconhecer uma canção que já ouvi enquanto chorava lamentando e refletindo sobre o assunto de ambos os textos... Oh, Legião, oh, Renato Russo... Lamento por nós, meu caro.
"E o que disserem, meus verdadeiros amigos sempre esperarão por mim."