domingo, 1 de março de 2009

Pós-Carnaval

Acabou o Carnaval. Da folia desses dias restou a tinta num canto da pia do banheiro, que ninguém se importou de tirar, há também nas paredes de alguns prédios públicos e nas roupas ainda não lavadas, embora hoje seja domingo pé-de-cachimbo. A tristeza do pós parece ser bem maior que a alegria do momento. Na Quarta-feira de Cinzas, a ressaca e as dores no corpo impedem alguns católicos de começar bem a Quaresma, outros como eu, não-religiosos, tentam curar a ressaca e a má digestão, esquivando-se das eventuais pilhérias dos amigos que não beberam tanto quanto, ao sair de casa tenta-se esconder o rosto da menina que deu um fora. O pós é bastante deprimente.

Só ano que vem, Carnaval, você nos alegrará novamente.

O dias de Carnaval têm um efeito sobre as pessoas de tal modo que outros raros conseguem reproduzir. Homens se alistam no Bloco das Quengas (o melhor de Brank City!!!) há 36 anos, fazendo a maior algazarra na feira de domingo, crianças jogam qualquer coisa que sirva pra melar o outro, os adultos idem, crentes abandonam os cultos, "certinhos" apresentam a face errada, senhoras e senhores de grande idade pulam com os mais jovens saudosamente.

Fora os inconvenientes, Carnaval, você nos alegra sempre.

Já sinto saudades do Carnaval como que fosse um amigo de longe a visitar-me uma vez ao ano. Portanto, meu amigo, eu te espero.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Desconjuntamento

Fraco, tão fraco, tão... desconjuntado. Vou passando e deixando meus pedaços, sem saber o que quero de mim ou se realmente preciso de algo. É uma fraqueza tornada silêncio, escuridão ao meio-dia. Ainda consigo sorrir com algumas notícias, com meus amigos. Porém, cansado de fazer as mesmas coisas. Bato o pé, cruzo os braços impaciente. Porra, eu tenho de me embriagar de novo!

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

O humano virou bicho

Passamos despercebidos aos olhos da multidão com nossos trajes semelhantes, com nosso silêncio. Também não notamos nos outros, a não ser que estejamos movidos por uma curiosidade bizarra de descobrir quem são só de olhar. A menina do caixa, mesmo que sorrindo, esquecerá nossos semblantes em pouco tempo, por isso se há algo errado voltemos logo lá. Você lembra a cara do rapaz que nos entregou um folheto? Todos os dias, na rotina diária, trafegamos as mesmas ruas. Ainda assim, deixamos algo. Você se recorda de alguns colegas de classe com os quais pouco ou nenhuma vez conversamos? Eu também não.

Na verdade, é tudo mentira. Há sempre alguém que nos nota do mesmo modo que o notamos. Desacostumamos com o fato de que os outros são como nós. Sim, lembramos, percebemos e ignoramos tudo isso, para mantermos nosso patamar de orgulho e individualismo sempre alto.

Eu sou egoísta, repito neste espaço mais uma vez. No entanto, não o sou somente pela paixão de ser, fui me configurando a esta forma. Pergunto-me quanto de mim sou eu mesmo. No geral, as pessoas são o que as outras são. Bichos paradoxais.

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O bicho

Vi ontem um bicho
Na imundície do pátio
Catando comida entre os detritos.

Quando achava alguma coisa,
Não examinava nem cheirava:
Engolia com voracidade.

O bicho não era um cão,
Não era um gato,
Não era um rato.

O bicho, meu Deus, era um homem.


(Manuel Bandeira)