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sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Retrato de carnaval, frevo e maisena

Na cadeira, com uma blusa vermelha e uma calça jeans contrastando, minha mãe sorri comigo no colo, empoeirado de maisena, cabelos encaracolados. Eu tinha dois ou três anos, vestia uma blusa com listras amarelas e brancas. Ao nosso lado, tia Neuma de óculos escuros, blusa azul marinho com barra vermelha nas mangas, apoiando o queixo no pulso levemente fechado, esboçando seu sorriso peculiar, que o fotógrafo apressado não esperou surgir entre a maisena. Meu pai traja calças de brim azul, alpercatas de couro, uma camiseta branca, sorri espalhafatosamente abraçado ao Seu Geraldo, este de calça marrom, alpercatas e camisa de botão preta (ou seria azul escuro?) aberta, peito senil à mostra e uma caneca de alumínio refletindo o flash da câmera. Caneca certamente cheia de cerveja e outras aliterações. Ambos batizados de maisena. Mais à direita de quem olha o retrato, meus primos, Kiko e Júnior de sandálias Havaianas, bermudas bem curtas e coloridas de listras azuis, amarelas e vermelhas. Kiko sem blusa, Junior de regata azul claro, cabelos alvoroçados, cobertos de maisena e com toda travessura carnavalesca possível nos sorrisos. Ao fundo, alguns foliões, também embranquiçados de maisena, mas a foto não registra o sorriso de nenhum deles. A música, um frevo bem quente, toca nesta hora, ministrada pela orquestra encarregada de animar as matinês e bailes das noites durante todo o Carnaval, até chegar o momento da Bandeira Branca e sair pelas ruas com o bacalhau na vara. Enfim, chega a quarta-feira ingrata. E vamos dormir e depois da brincadeira, tomamos banho para tirar o pó dos ouvidos. E vivemos mais um ano para repetir tudo de novo, fazer uma foto diferente.


sábado, 20 de fevereiro de 2010

Só ano que vem

Carnaval só ano que vem. Onde ouvi isso? Todo ano tem, todo ano acaba. Por mim, duraria um pouco mais. Ao invés de uma Quarta-feira de Cinzas, não seria melhor uma Segunda-feira? Nisto muitos concordariam. Até aqueles que não gostam do Carnaval, haveria mais tempo para o "nadar" deles.

Pois é, ele veio, ele foi. Durante quatro dias eu trouxe aquilo que prometi: não boas fotos de Japaratinga e Porto de Pedras por onde perambulei, mas ótimas histórias, sim, que não contarei aqui ao menos que haja um clamor muito forte do público fiel deste blog em prol disto.

Minha cara está queimada, até ontem os ossos estavam doloridos e a vontade de permanecer em casa até segunda-feira, ávida. Esta é uma ressaca que não se cura com água de coco. O quero-mais permanece, gera novas expectativas. Nesse momento, olho para o meu amigo Whasley e indago: "Quando será a próxima aventura?"

Carnaval só ano que vem, a próxima aventura, a qualquer instante. No intervalo entre uma coisa e outra, vou suportando a realidade.

Ah...

domingo, 1 de março de 2009

Pós-Carnaval

Acabou o Carnaval. Da folia desses dias restou a tinta num canto da pia do banheiro, que ninguém se importou de tirar, há também nas paredes de alguns prédios públicos e nas roupas ainda não lavadas, embora hoje seja domingo pé-de-cachimbo. A tristeza do pós parece ser bem maior que a alegria do momento. Na Quarta-feira de Cinzas, a ressaca e as dores no corpo impedem alguns católicos de começar bem a Quaresma, outros como eu, não-religiosos, tentam curar a ressaca e a má digestão, esquivando-se das eventuais pilhérias dos amigos que não beberam tanto quanto, ao sair de casa tenta-se esconder o rosto da menina que deu um fora. O pós é bastante deprimente.

Só ano que vem, Carnaval, você nos alegrará novamente.

O dias de Carnaval têm um efeito sobre as pessoas de tal modo que outros raros conseguem reproduzir. Homens se alistam no Bloco das Quengas (o melhor de Brank City!!!) há 36 anos, fazendo a maior algazarra na feira de domingo, crianças jogam qualquer coisa que sirva pra melar o outro, os adultos idem, crentes abandonam os cultos, "certinhos" apresentam a face errada, senhoras e senhores de grande idade pulam com os mais jovens saudosamente.

Fora os inconvenientes, Carnaval, você nos alegra sempre.

Já sinto saudades do Carnaval como que fosse um amigo de longe a visitar-me uma vez ao ano. Portanto, meu amigo, eu te espero.