Há uns dias, em especial de ontem, quando se comemorou 40 anos da chegada do homem à Lua, até hoje, se tem falado muito sobre nosso satélite. Ao longo desses anos surgiram muitas teorias conspiracionistas sobre o episódio. Eu mesmo tenho minhas dúvidas. Porém, como bem ressaltou Saramago, o grande passo da humanidade não foi dado. Gerald Thomas também disse algo interessante aqui. Li outras coisas nos poucos sites que acesso diariamente. Estes bastam, pois concordo com a opinião de ambos.
A Lua inspira-me, dá-me alento quando abro a porta do quintal e vejo-a refletindo no Mundaú, iluminando a ponte e tudo mais. Postei um registro fotográfico de um momento assim aqui outro dia. Quem já esteve no sertão sabe que aquela canção não mente, sim, lá o luar é mais bonito.
Para mim, o importante é que ela continua lá em cima.
Odiar não é pecado. Mas um sentimento humano tal qual amar, seu extremo antagônico. A loucura reside em ambos. Continuando, são prescindíveis razões para odiar ou amar. Há mais interesses que ódio por trás das guerras, a irracionalidade serve de meio à obediência cega. Até hoje o amor não conseguiu salvar o mundo.
O ódio aparenta ser um incômodo provocado por alguém que desperta como proteção. Parece impotência diante da insistente dissuasão do outro. Manifesta-se através da inveja. Efeito de uma causa. Deve haver uma maneira de odiar para cada uma de amar, basta o ato contrário.
Os antagonismos estão mais para criar dúvidas do que separar certo e errado. Nem sempre uma bala é lançada por ódio, como nem todo beijo é por amor. Enquanto o mundo não retorna ao Éden, algumas pessoas tentam reconstruí-lo, embora odiando os destruidores, uma forma de defesa contra a corrupção. É estranho.
Michael Jackson subiu. Pouquíssimos artistas da música frequentam o cânone do meu imaginário, e ele está lá entre Renato Russo, Raulzito, Cazuza, Kurt Cobain, os Floyds, Belchior, apesar dos escândalos, da mudança misteriosa de cor etc. Obviamente, ele está longe da majestade genuína desses caras aí. Mas marcou tanto que é impossível não sentir sua falta.
Naquela época gostosa do videocassete nenhuma fita competia com uma contendo os clipes do Michael. Passávamos horas na casa do amigão Edilson Vilar vendo e revendo a fita. O Mudo mais conhecido de Brank City viu tanto que aprendeu os passos antológicos do Rei do Pop. Até hoje dou muita risada com a cena. Desconheço pessoa que mais o admire quanto Fabrício Doido, outro irmão. Ultrajava a imagem do Michael na presença dele só para irritá-lo. Brigamos certa vez, porque ele rasgou uma página de revista com uma foto do seu ídolo. Depois tudo se reverteu em risada.
Ainda não vi clipe melhor que o Thriller. Dava medo aquela transformação de vivo para vivo-morto (que hoje percebo tão tosca!). Porém, não ousava sair da sala. Ficava compenetrado com aquela dança. Alguém aí consegue dançar melhor?
Deixou-me de luto. Valeu, Michael!
*A imagem é do gênio Carlos Latuff, que está linkado ao lado =>
Tédio. Não sou pessoa de grandes aventuras, mas não consigo suportar tanta mesmice. Cansam-me as notícias, os esportes que acompanho, a Internet que cada dia me torna mais dependente dela, a comida da geladeira. Um saco! As pessoas me perturbam, e o mais grave, a algumas nem devo satisfações de quaisquer naturezas. Meu mundo encurtou-se novamente.
Tédios cotidianos. De todos eles, claro, as pessoas se sobressaem. Quando entraram no rio e me encontraram diminuíram, ou eu cresci. O ambiente tornou-se sufocante e superado. Preciso agachar-me vez em quando, falar mais alto para ser ouvido, desacelerar, calar para não quebrar um espírito inflexível. O problema reside em mim, também. Eu seria imperfeito se não reconhecesse isso. Mas, poxa, por que nenhuma conversa me interessa de verdade? Ou, por que ninguém me escuta?
Não me recomendem psicólogo, analista nem profissional da área. A literatura, a boa música e os poucos amigos-irmãos são-me suficientes. Tento ser mais otimista, Murphy não deixa. Bom, para tanto tédio, suponho que estas palavras bastam.