sábado, 1 de agosto de 2009

Meu dia


Das coisas que mais me atêm, o tempo sobressai-se. Não celebro datas, mas as pessoas. Como os dias são indiferentes aos seres vivos, decidi sê-lo também para com ele. Logicamente, não é uma medida eficaz. Tornar-me senil nenhuma ojeriza me causa. Antes às vezes sinto uma sensação de conforto quando imagino uma vida feliz, onde tudo ocorre bem. Tomara que a velhice, se eu chegar até ela, seja calma, serena e repleta de pessoas amadas.

Completar mais um ciclo de dias não confere mais alegria ao meu dia. Costumo dizer que sou meio hedonista, embora acanhado demais para certas aventuras, ou ocupado demais para subtraí-las. Há muito daquela coisa do "tô a fim".

Bem, hoje é primeiro de agosto, como negar? Ano que vem haverá outro. E a minha retórica resume-se a copiar uma estrofe de "A palo seco", clássico do poeta Belchior:

Tenho vinte e cinco anos de sonho
E de sangue
E de América do Sul.

Por força deste destino,
Um tango argentino

Me vai bem melhor que um blues.
Sei, que assim falando, pensas

Que esse desespero é moda em 73.

E eu quero é que esse canto torto,

Feito faca, corte a carne de vocês.

Choverá hoje?



Crédito da imagem: Pedro Sacadura / Título: 2809382 (in Olhares.com, link ao lado)

terça-feira, 21 de julho de 2009

A Lua


Há uns dias, em especial de ontem, quando se comemorou 40 anos da chegada do homem à Lua, até hoje, se tem falado muito sobre nosso satélite. Ao longo desses anos surgiram muitas teorias conspiracionistas sobre o episódio. Eu mesmo tenho minhas dúvidas. Porém, como bem ressaltou Saramago, o grande passo da humanidade não foi dado. Gerald Thomas também disse algo interessante aqui. Li outras coisas nos poucos sites que acesso diariamente. Estes bastam, pois concordo com a opinião de ambos.

A Lua inspira-me, dá-me alento quando abro a porta do quintal e vejo-a refletindo no Mundaú, iluminando a ponte e tudo mais. Postei um registro fotográfico de um momento assim aqui outro dia. Quem já esteve no sertão sabe que aquela canção não mente, sim, lá o luar é mais bonito.

Para mim, o importante é que ela continua lá em cima.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Odiar

Odiar não é pecado. Mas um sentimento humano tal qual amar, seu extremo antagônico. A loucura reside em ambos. Continuando, são prescindíveis razões para odiar ou amar. Há mais interesses que ódio por trás das guerras, a irracionalidade serve de meio à obediência cega. Até hoje o amor não conseguiu salvar o mundo.

O ódio aparenta ser um incômodo provocado por alguém que desperta como proteção. Parece impotência diante da insistente dissuasão do outro. Manifesta-se através da inveja. Efeito de uma causa. Deve haver uma maneira de odiar para cada uma de amar, basta o ato contrário.

Os antagonismos estão mais para criar dúvidas do que separar certo e errado. Nem sempre uma bala é lançada por ódio, como nem todo beijo é por amor. Enquanto o mundo não retorna ao Éden, algumas pessoas tentam reconstruí-lo, embora odiando os destruidores, uma forma de defesa contra a corrupção. É estranho.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Até logo, Michael


Michael Jackson subiu. Pouquíssimos artistas da música frequentam o cânone do meu imaginário, e ele está lá entre Renato Russo, Raulzito, Cazuza, Kurt Cobain, os Floyds, Belchior, apesar dos escândalos, da mudança misteriosa de cor etc. Obviamente, ele está longe da majestade genuína desses caras aí. Mas marcou tanto que é impossível não sentir sua falta.

Naquela época gostosa do videocassete nenhuma fita competia com uma contendo os clipes do Michael. Passávamos horas na casa do amigão Edilson Vilar vendo e revendo a fita. O Mudo mais conhecido de Brank City viu tanto que aprendeu os passos antológicos do Rei do Pop. Até hoje dou muita risada com a cena. Desconheço pessoa que mais o admire quanto Fabrício Doido, outro irmão. Ultrajava a imagem do Michael na presença dele só para irritá-lo. Brigamos certa vez, porque ele rasgou uma página de revista com uma foto do seu ídolo. Depois tudo se reverteu em risada.

Ainda não vi clipe melhor que o Thriller. Dava medo aquela transformação de vivo para vivo-morto (que hoje percebo tão tosca!). Porém, não ousava sair da sala. Ficava compenetrado com aquela dança. Alguém aí consegue dançar melhor?

Deixou-me de luto. Valeu, Michael!

*A imagem é do gênio Carlos Latuff,
que está linkado ao lado =>