terça-feira, 2 de novembro de 2010

Levemente acordado

Há um bom tempo e eu ainda não me acostumei com a Terra da Liberdade plenamente. Prossigo gozando de algumas comodidades. Principalmente de ter os amigos por perto e caminhar até o trabalho. Acordo e não há muito o que fazer, aliás, haverá doravante.

Não é nada interessante para mim ver uma paisagem de cimento todo dia. Eu preciso do rio. Eu preciso, na verdade, de tanta coisa que agora não consigo lembrar. União dos Palmares é tão grande... Surgem oportunidades, circunstâncias que não me deixam estagnado e com isso eu vou ressurgindo. O passado pouco se faz presente e por isso raramente eu me religo a ele.

Nesse mês superado aconteceu muita coisa, uma delas ficará marcada no meu corpo para sempre. Bom? Ótimo? Inefável. Senti-me um sol.

Para continuar esta crônica incoerente, ontem acordei feliz de saber que o Brasil, embora ainda ultrajante, continuará menos ruim com Dilma lá. Na verdade, é isto o que eu espero. Convenci-me de que Lula, o mito, foi menos ruim que o FHC. Na verdade, outra vez, de todos os partidos políticos que estão aí o mais imprestável que há é o PSDB. Vide o caso alagoano: muito cimento e pouco serviço. Enfim, tomara que a figura de uma mulher na presidência seja tão simbólica quanto a do operário.

Pode não parecer, mas estou otimista, não quanto ao futuro do país, quanto a mim mesmo, pessoalmente. Faz tempo que não me sinto tão bem. Só preciso agora de férias.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Eu, Policarpo avesso

Estamos no auge de um momento político. Não consegui escrever nada sobre isso antes porque me faltava um paralelo, não necessariamente exclusivo, mas que me apetecesse. Então, quanto mais próximo da eminência do processo eleitoral, mais eu me sinto Policarpo Quaresma na prisão. Nossa pátria angustia, envergonha qualquer pessoa com o mínimo de sentimento. O que esperar de um país tão rico com tantas pessoas analfabetas, que nunca lerão Lima Barreto ou o letreiro da padaria?

Ouve-se um palavrório caótico de candidatos volúveis, suscetíveis às conveniências, ao comodismo e o pior, sem propostas reais. Melhorar isso ou aquilo não é proposta. Ou estou enganado? Atacar a honra, as idiossincrasias alheias, isto é propor? Acredito que ainda não caduquei, e mesmo quando isso acontecer estarei preocupado com assuntos altaneiros.

Gostaria muito de ter a determinação do Policarpo, sua paixão ufanista pelo Brasil, mas não consigo. Sou pessimista quanto ao futuro. O que não quer dizer que me esquivo do debate político nem da atuação política. Sou um Quaresma às avessas, comedido, ciente de que a minha pátria me ultraja. Talvez nem tão pessimista, mas realista.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Levemente adormecido

Levanto-me pela manhã e indago: "Ainda não acordei?!". Sim, porque tudo ainda é novo e estou descobrindo os caminhos. Trafego por aí sem conhecer os rostos, mudo. Estranhos, eu e essa nova realidade. Por vezes sufocado, por vezes livre, são sensações muito díspares que o cotidiano novíssimo apresenta. Preencho meus dias com poucas coisas, mas demandam tempo e meu tempo se esvai no liquidificador do tédio. Mesmo assim, está tudo bem.

Sigo sem me lamentar, pensando tanto quanto antes. Quando eu me acostumar, talvez organize melhor meu tempo e tenha tempo para gastar em outras eventualidades. Por enquanto meu campo de repouso é o Rock'n Roll cantado em coro com os amigos, os Cavaleiros do Apocalipse, a turma etílica-filosófica.

Bem, amor... paciência. Paciência, pois cheguei agora. No entanto, não me deixes. Acordarei em breve.

domingo, 20 de junho de 2010

Recomeçar

Dessa sexta-feira, 18 de junho, em diante estarei sofrendo muito. Eu e minha família fomos vítimas da fúria das águas revoltadas. Revoltadas porque nossa culpa ocupar e destruir o leito dos rios. Resumindo, minha família e dezenas de outras de Branquinha-AL perdemos tudo o que tínhamos, alguns até a vida. Isto nos sobrou mais a força de formiguinha para recomeçar. E como é triste, quantas lágrimas salgaram o lamaçal, molharam os escombros. Os músculos ainda estão doloridos por conta dos esforços inúteis para salvar os objetos de casa. Perdi metade do que vivi até hoje, pois o rio levou contos, poesias e muitos outros escritos guardados com muito cuidado ao longo de mais de quinze anos de amor à palavra. Meus livros tão queridos desceram. Tomara que alguém os leia, assim sairei do anonimato. Porém, a vida, agora mais curta, prossegue. Agradeço... a Deus, força estranha que nos impeliu? ao racionalismo, força estranha que nos repeliu? Não sei, apenas sou grato por minha família e amigos muito amados estarem vivos e tomando decisões para reconstruir. Como diz o ditado popular, só não tem jeito pra morte.